Duas e trimta e quatro da manhã. Final de mais um final de semana.
Minha vida parece um monólogo.
Não por que eu viva sozinha não. Eu vivo rodeada de pessoas, mas ainda me falta.
Eu falo com as pessoas, mas o que eu sinto, é sozinha. Eu durmo, eu acordo, eu como, eu tomo banho, eu dirijo, eu ando, eu escuto música, eu trabaolho, eu leio, eu escrevo. Tudo sozinha. Mesmo que em todas estas colocações acima exiastam pessoas ao meu redor, no pensamento sou sempre eu, e eu, e eu. Pensamentos que não divido com ninguém, sentimentos que não são expressados. Eu estou parada, mas minha cabeça vive a mil por hora, ela não pára, não descansa. As agonias, as dúvidas, as incertezas, as questões que toda hora me faço estão vivas no meu pensamento 24 horas por dia, até dormindo, onde entram os sonhos (ou pesadelos).
Hora quero viver, hora não quero mais. Hoje quero trabalhar, amanhã não quero nem lembrar que isso existe. Depois quero amar, mas antes quero ser amada. Depois não quero mais nenhum dos dois, o que quero mesmo é ficar sozinha. Mas sozinha nada terá graça, então volto ao princípio de tudo. Minha vida e minha rotina, assim como os meus pensamentos, têm prazo de validade. Estranho isso, por que "temos que ser convictos, e fortes, e não desistir nunca".
Eu sorrio pras pessoas, mas um sorriso que mem sempre expessa uma felicidade verdadeira.
Minha vida agora é feita apenas de momentos, instantes, segundos, minutos e horas de alegria. Não de felicidade. Felicidade é aquela que te deixa bem o dia todo, todos os dias. E quando se é inconstante, já se vê então que não é felicidade.
Eu agradeço pelos amigos, pelas risadas, pela companhia, pela igualdade, pela loucura, festas, etc. Mas e no fundo, o que existe? Um grande buraco.
Já dizia o Nick Farewell que ninguém nunca vai tampar o buraco que existe em nós, porque já nascemos com ele. É como tapar o sol com a peneira, você tampa, mas não completamente.
Pessoas vão e vem, entram e saem de nossas vidas, mas o buraco escuro do nosso coração continua lá. Algumas dessas pessoas são uma peneira, outras acabam deixando esse buraco ainda mais fundo e escuro. E assim, fica ainda mais dificil de fechá-lo.
Viver numa cidade grande é isso. Caminhos e corações com o mesmo buraco sem fundo se cruzam todos os dias, mas cada um com o seu destino. Pessoas interessantes passam ao nosso lado sem nem mesmo sabermos que são interessantes. Ou se realmente são interessantes. Daí elas se vão, e não saberemos nunca mais.
Um dia eu vou embora daqui, quem sabe lá não exista uma peneira pra mim.
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Um comentário:
as pessoas mais interressantes as vezes cruzam conosco quase todo dia... mas só depois de ganhar asas é q descobrimos...
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